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Derretendo Geleiras

Por: *Solange Valentim

Existem vários sinônimos para a palavra conviver. No sentido de existir ou habitar no mesmo espaço há: comorar, viver, coexistir e coabitar. Enquanto no relacionamento podemos substituí-la por dar-se, estar, versar, lidar, tratar e conversar. Mas há também a situação de adaptar-se a algo difícil, desafiador. Neste caso os sinônimos podem ser: habituar-se, acostumar-se e aceitar.

O fato é que, sempre, é necessário abrirmos espaços para nos desenvolvermos em todas as áreas de nossas vidas. Primeiramente com nós mesmos. Afinal, quem é que nunca teve desafios com o seu próprio corpo; ou com nossos pais, irmãos, filhos, cônjuges, colegas de trabalho, vizinhos, governo e economia?

E entre alguns tropeços e acertos identifiquei que o progresso surge com o entendimento de que é necessário compreender as minhas próprias limitações e defeitos assim como dos outros. Além de aceitar críticas e desenvolver o companheirismo.

520 Familias

Uma das experiências de convivência mais ricas da minha vida foi quando adquiri o primeiro imóvel, na região da Freguesia do Ó. Num desentendimento com uma das pessoas que administravam o condomínio, que tratou mal a minha mãe, decidi entender como funcionava os demais trabalhos no local onde moravam 520 famílias, somando em torno de 2.500 pessoas, entre crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Na época, fim da década de 90, já estava em curso os preparativos para uma nova eleição para síndico, conselho e diretoria administrativa. Nosso pano de fundo era formado pelos enormes desafios gerais da economia nacional, às voltas com oito programas de estabilização econômica, 15 políticas salariais, 18 mudanças de política cambial, 54 alterações de sistema de controle de preços e 21 propostas de renegociação da dívida externa.

Neste contexto fui designada responsável pela área administrativa, no condomínio, juntamente com outros integrantes do Conselho, Subsíndicos, funcionários e um novo síndico. E nem é preciso dizer que a maioria da comunidade estava em polvorosa com os reflexos econômicos, por conta da aquisição recente dos imóveis e os casos de desentendimentos multiplicavam-se, fossem entre casais, filhos, vizinhos, banco credor e até com prestadores de serviços.

Ouvidoria

Para atender às demandas mais graves, decidimos que o melhor seria reunirmos os envolvidos para ouvir suas queixas, por meio do lançamento de um serviço: uma ouvidoria. Tudo para atender melhor os condôminos.

Na ocasião eu trabalhava numa das entidades que atua junto com instituições do sistema financeiro e que lançaram este mesmo serviço para atender demandas de clientes bancários e o “case” serviu como uma luva para o nosso condomínio.

De imediato percebemos que precisávamos de uma pessoa calma e que tivesse perfil imparcial e com uma escuta ativa acurada.

A escolhida, uma mulher, era uma das integrantes da Administração e seu perfil se encaixava para o trabalho a ser executado: ouvir as queixas e buscar um alinhamento entre as partes. Sem dizer que, a cada novo atendimento, nos dávamos conta que, no fundo, havia uma vontade de ambas as partes serem acolhidas e apreciadas.

Derretendo Geleiras

Em cada caso, fazíamos questão, de atender a partir de uma escuta ativa e nos colocávamos no lugar de cada um, fosse do condômino que reclamava de algo e/ou do outro vizinho, que fazia a réplica, na figura de reclamado. Muitos deles traziam lembranças e comparações com suas próprias histórias familiares. Fossem citações de que o vizinho o provocava andando de salto alto pela casa, como sua irmã fazia, durante a sua infância.

A solução que encontramos foi a de criar um espaço de diálogo, para derreter os icebergs. O fato é que apesar dos grandes desafios conseguimos diminuir, significativamente, as contendas.

Esta magnífica experiência, neste condomínio, no qual tive meus dois filhos, me revelou diversas lições, especialmente, o valor do outro e o quanto trabalhar em grupo faz diferença em nossas vidas. E de verdade, juntos, somos mais fortes e podemos melhorar, continuamente, a nossa convivência, seja aonde for.

Fonte: Folha do Condominio

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